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Gerontologia, Blog

A Gerontologia é um Campo de Estudo Multidisciplinar do Envelhecimento Humano, Aplicada na Prática pelo Gerontólogo.


APONTAMENTOS GERONTOLÓGICOS

Por: Vasco Fernandes, (2015).

  1. Gerontologia (Disciplina)
  2. Envelhecimento (Velhice e Velho)
  3. Envelhecimento Ativo
  4. Intergeracionalidade
  5. Família
  6. Sociedade
  7. Processo de Envelhecimento (Alterações Associadas)
  8. A Velhice ao Nível do Envelhecimento Social
  9. Papéis Sociais (Perdidos, Desativados ou Preservados)
  10. Envelhecimento Social (Teorias)
  11. O Processo da Reforma (Cinco Fases Sequenciais)
  12. Pensamento Acerca da Morte (As Quatro Dimensões)
  13. Luto Patológico (Características Presentes)
  14. Luto e Apoio Social a Idosos
  15. Estilos de Vida e Envelhecimento
  16. Reflexão (Breve)
  17. Bibliografia
  1. GERONTOLOGIA (Disciplina)

Em 1903 Elie Metchnikoof, defendeu a criação da especialidade de gerontologia, alertando que esta seria de extrema importância no campo científico e que se deveriam fazer estudos direcionados ao envelhecimento humano assim como à velhice e aos assuntos/temas relacionados com indivíduos de idade avançada. Seis anos depois, em 1909, no mesmo segmento de preocupação com os indivíduos de idade avançada, Ignatz Nascher partilha da mesma opinião ao perceber que os idosos eram tratados da mesma forma que se tratavam as crianças da época de então. Nascher – médico –  faz nascer um novo ramo da medicina, a geriatria, que tem como pilar principal o estudo da velhice. Metchnikoof e Nascher desenvolveram inúmeros estudos com vista a perceber o conceito de envelhecimento, no entanto deparam-se com grandes dificuldades pela parte da comunidade científica, uma vez que esta comunidade defendia que o envelhecimento era algo inacessível. Saliente-se ainda nomes como Stanley, psicólogo e Marjory Warren, Socióloga, que perceberam que o envelhecimento não é um voltar à adolescência (S. Hall) e que a velhice deveria ser avaliada de forma multidisciplinar (M. Warren).

Pode-se estão perceber que estes pioneiros em gerontologia foram fundamentais para a gerontologia tal como se conhece hoje, permitindo assim uma abordagem diferenciada e direcionada a cada indivíduo de idade avançada, uma vez que o envelhecimento humano não deve nem pode ser visto de forma igual para todos. Atualmente os profissionais de gerontologia dispõem de inúmeros estudos que permitem uma melhor compreensão do envelhecimento humano e da sua velhice e a comunidade científica apresenta – de forma geral – uma preocupação em continuar a apresentar novos estudos. Portanto, os já referidos pioneiros em gerontologia foram fundamentais para uma nova consciência no que respeita ao envelhecimento, velhice e idoso.

  1. ENVELHECIMENTO (Velhice E Velho)

O envelhecimento humano ocorre desde o seu nascimento, sendo o envelhecimento o processo e a velhice o estado, portanto o resultado do envelhecimento. A velhice deverá ser compreendida como mais uma etapa da vida do Homem – independentemente de esta ser a última – no decorrer da sua vida, naturalmente acompanhada das dificuldades e limitações próprias de um indivíduo idoso.

O velho é aquele que a sociedade tem por hábito desvalorizar, Peixoto (1998). No entanto, um Velho é, acima de tudo e de todos, acima de qualquer crença ou religião, um Homem e isso deverá ser o bastante para que seja olhado como um “Ser” de pertença. As crianças, os jovens e os adultos devem obrigar-se a ver o Velho como um igual, afinal foi o Homem Velho, que enquanto Homem Novo que construiu ontem, o mundo que usamos hoje.

  1. ENVELHECIMENTO ATIVO

O envelhecimento ativo solicita um esforço concertado pela parte de todos em geral e ao nível pessoal, há que ter em conta as capacidades biopsicossociais do indivíduo, uma vez que a velhice varia de indivíduo para indivíduo. Já no que respeita aos hábitos comportamentais deve-se dar especial atenção porque uma conduta irregular de vida quer seja ao nível psicológico quer seja ao nível físico, passando por comportamentos como por exemplo o consumo de tabaco ou excesso de álcool que comprometem seriamente um envelhecimento saudável, o meio físico é também um fator determinante para um envelhecimento saudável quer nas relações com a sociedade quer no acesso a bens e serviços de qualidade.

Um indivíduo que se sinta como parte da sociedade e com condições para satisfazer as suas necessidades diárias com segurança e qualidade terá certamente uma melhor disposição para participar na sociedade, no entanto é fundamental que o indivíduo possua capacidade monetária de forma a poder responder às suas necessidades. Um indivíduo de idade avançada deve ter acesso à sociedade, independentemente do seu grau de formação, estado, crença ou cultura, deve ainda ser alvo de proteção especial a vários níveis – se for o caso – e a sociedade através dos diversos organismos existentes deverá informar o indivíduo dos seus direitos e deveres enquanto Homem Velho.

Relativamente aos serviços sociais, estes devem possuir a capacidade de intervir adequadamente e individualmente no sentido de proporcionar uma condiga condição de vida aos idosos. Uma intervenção adequada, não só estimula o indivíduo como também o torna mais independente e ativo na sociedade, portanto, quanto mais ativo e independente o idoso se tornar, maior é o seu contributo para a sociedade o que por sua vez pode libertar de forma significativa a polução ativa. Ser Velho, ativo ou não, enfermo ou não, continuará sempre a ser um igual enquanto “Ser” da espécie humana.

  1. INTERGERACIONALIDADE

A intergeracionalidade pode contribuir de uma forma muito significativa para um envelhecimento ativo, no entanto a intergeracionalidade deveria ir mais além daquilo que é na realidade. É muito pouco proporcionar momentos de lazer entre jovens e idosos como normalmente acontece.

É perfeitamente entendível que programas intergeracionais de ordem profissional podem contribuir de forma séria e produtiva para o envelhecimento ativo, ou seja, deveriam ser criados programas, quer académicos quer empíricos, no sentido de transmitir conhecimento, porque, a ciência faz com que o fazer e o saber estejam sempre em constante mutação e isso seria o motivo para que a intergeracionalidade profissional seja uma ação de extrema importância no que respeita ao envelhecimento ativo, uma vez que o jovem profissional tomava conhecimento de como se fazia no passado enquanto o idoso assimilava como se faz hoje. Esta relação iria criar um enorme sentimento de pertença pela parte do idoso, e ao mesmo tempo a aceitação do idoso pela parte do jovem, esta interação iria ajudar de forma significativa a derrubar preconceitos relativos à velhice, ao Velho.

  1. FAMÍLIA

A família é uma parte importante no que respeita ao envelhecimento ativo, contudo a interação com a família pode – em certos casos – limitar a atividade do idoso uma vez que a família tende a fazer uso excessivo da proteção limitando as liberdades do idoso. Como é sabido, existem inúmeros programas para idosos com vista a promover o envelhecimento ativo, no entanto não seria demais e até necessário encetar também programas direcionados às famílias alertando-os para a importância do envelhecimento ativo, programas esses que deveria ser extensíveis à comunidade em geral.

  1. SOCIEDADE

De uma forma geral a sociedade precisa urgentemente de perceber que o idoso é pertença sua e que a sociedade é pertença dele, esta tomada de consciência irá certamente contribuir de forma significativa para o bem-estar geral de todos os idosos. Segundo Daniel Goleman (2011), a sociedade deve alcançar a consciência social, ou seja possuir a capacidade de perceber o estado de espírito da outra pessoa, de entender os seus pensamentos e sentimentos assim como estar atento à sua situação social e ainda segundo o autor, não basta perceber o outro sente, sabe ou está a pensar. Assim, para que se garanta uma ação concreta, é necessário que nos apresentemos eficazmente e que contribuamos para as necessidades dos outros agindo em conformidade, com a finalidade de conseguir interações com sucesso.

  1. PROCESSO DE ENVELHECIMENTO (Alterações Associadas)

O processo de envelhecimento difere de indivíduo para indivíduo, sendo mais rápido para uns e mais lento para outros. Basílio Fechine, Nicolino Trompieri (2012), citando Caetano, (2006). O envelhecimento comporta um conjunto de processos associados a três pilares fundamentais do “Ser” humano e que são o Biológico, o psicológico e o Social:

  1. O envelhecimento no campo biológico acarreta a defunção gradual de todo o sistema orgânico, podendo acontecer de forma natural ou provocado por patologias hereditárias ou não, assim como também pelo estilo de vida do indivíduo, quer ao nível físico quer ao nível nutricional;
  2. O envelhecimento psicológico pode ser dividido em duas partes, as perdas naturais de capacidades cognitivas e a perda de papéis na sociedade, a perda de papéis tendem a levar o indivíduo ao isolamento voluntário, ele sente que a sua contribuição deixou de ser importante para a sociedade. Aspetos como a diminuição de laços afetivos, quer com a família quer com os amigos e a perda do cônjuge são fatores de uma enorme negatividade para o idoso, colocando-o em sofrimento psicológico, o que por sua vez contribui para a perda de vontade de viver;
  3. O envelhecimento social está, de certa forma, relacionado com o envelhecimento psicológico ele ocorre – normalmente – com a chegada da reforma, quando o indivíduo cessa as suas funções profissionais perde uma importante rede na sua vida, uma vez que deixa de fazer parte de um grupo de trabalho e muitas vezes também perde o contacto com os seus antigos colegas devido a vários fatores como, por exemplo a distância territorial. Fatores como a perda de um ente querido, a falta programas de participação na sociedade, de projetos pessoais e a diminuição do contacto familiar levam o indivíduo a um isolamento imposto.
  1. A VELHICE AO NÍVEL DO ENVELHECIMENTO SOCIAL

O envelhecimento social implica mudanças significativas levando o indivíduo a um ajustamento quer das suas ações quer do seu posicionamento na sociedade, um dos marcadores mais significativos do envelhecimento social é o final da carreira profissional, esta mudança começa por alterar o seu status na sociedade o que por si só imprime no indivíduo um enorme sentimento de perda. Portanto, o indivíduo deve tomar consciência da sua nova condição e encontrar meios que lhe proporcionem continuar a fazer parte da sociedade procurando novos meios que estejam ao seu alcance de forma a encontrar novos objetivos que impliquem ação da sua parte. As redes sociais vão-se perdendo ao longo da vida e esta perda tem um impacto significativo na vida do indivíduo idoso uma vez que o avançar da idade lhe permite ter mais tempo para socializar. Assim sendo, o idoso deverá encetar novas relações e incluir-se – sempre possível – em programas direcionados a idosos. O envelhecimento social solicita uma mudança significativa pela parte do idoso em vários aspetos, este deverá ajustar valores de acordo com a sua condição, mudar hábitos e encontrar forma de se adaptar à sua nova realidade com o objetivo de continuar como participante ativo na sociedade.

  1. PAPÉIS SOCIAIS (Perdidos, Desativados ou Preservados)

Com a chegada da velhice o idoso ainda preserva alguns dos seus papéis, outros serão perdidos com o passar do tempo. Uma das perdas mais significativas é a produtiva pelo facto de passar à reforma, esta mudança implica que o idoso encontre novas formas de preencher o tempo que passava a trabalhar, também se pode entender que a rede social que existia no universo do seu campo profissional, pode sofrer danos significativos, uma vez que esse relacionamento tende a abrandar e até mesmo a desaparecer.

No que respeita aos papéis que ainda conserva, eles, de certa forma estão comprometidos como é o caso do papel conjugal e embora por norma a maioria das relações se mantenham funcionais, é possível que outras venham a sofrer pelo facto do cônjuge passar mais tempo em casa, esta mudança suscita a necessidade de ambos os cônjuges se adaptarem a uma nova realidade, no entanto é um papel que a seu tempo será perdido com a finitude de um deles.

Os papéis de irmão, embora tenham sido enfraquecidos durante a idade produtiva, por norma fortalecem-se quando essa fase termina. Os papéis parentais, mesmo que não terminem, sofrem modificações significativas para o idoso uma vez que a sua função de pai enquanto educador diminui significativamente ou termina e muitas vezes é o pai que se submete aos filhos por variadas necessidades, que vão desde a saúde, passando pela mobilidade até às questões financeiras. Relativamente ao papel de vizinho, ele tende a ser preservado a menos que o idoso opte por mudar de residência.

Um dos papéis fundamentais para o idoso é seu papel na sociedade, por isso cabe a todos aqueles que o rodeiam contribuir para a manutenção dos papéis existentes assim como também a criação de novos papéis e para que isso aconteça é fundamental a participação do próprio idoso, será ele a ter o papel principal na manutenção e criação da sua rede social.

  1. ENVELHECIMENTO SOCIAL (Teorias)

Segundo Baltes (2000), desde meados do século XVIII que o homem tem revelado uma crescente preocupação no que respeita à relação entre o idoso e a sociedade e desde então têm sido desenvolvidos inúmeros estudos que deram lugar a variadíssimas teorias sociais. Das várias teorias existentes salientam-se a (i) teoria das trocas, a (ii) teoria da equidade, a (iii) teoria da integração social e a (iv) teoria da atividade:

  1. A teoria das trocas, segundo Lapierre, Bouffard e Bastrian (1997), a teoria das trocas está relacionada aos sentimentos de bem-estar na velhice, o que segundo Hogan, Eggebeen e Clogg (1993), é o dar e o receber de forma balanceada. Ou seja, as trocas devem ser avaliadas no sentido de perceber a relação entre a frequência e a qualidade das mesmas, Schwarzer e Leppin (1991), para que assim se possa identificar os aspetos positivos e negativos da ação, Marília P. Ramos (2002), esta análise permite perceber impacto que as trocas imprimem no idoso. As trocas entre idosos e/ou instituições quando devidamente balanceadas pode contribuir para o bem-estar geral do indivíduo idoso, já o contrário pode levar o idoso ao autoafastamento, como se compreende;
  2. A teoria da equidade reveste-se de particular importância no que respeita aos idosos. O envelhecimento da população é um fenómeno a nível mundial e como se sabe esta realidade carrega consequências com implicações na vida quotidiana de todos e tem impacto direto quer nas relações familiares, quer nos estilos de vida e também no campo familiar, assim como na equidade entre gerações, Patrícia Ivo (2008). Segundo a autora, a falta de equidade entre gerações é de certa forma entendível, desde que esta não colida com os direitos universais do idoso. A teoria da equidade vem no seguimento da teoria das trocas, devendo, portanto as trocas, quer entre pessoas ou instituições, sejam elas de ordem afetiva, material ou na saúde devem acontecer com a máxima equidade possível, uma vez que a falta de equidade pode imprimir naquele que dá mais do que aquilo que recebe, sentimentos de injustiça e ressentimento, assim como receber mais do que aquilo que dá pode fazer com que o idoso sinta vergonha e culpa;
  3. Na Teoria da integração social, Durkheim (1951), estão claros os efeitos estruturais no bem-estar psicológico das pessoas, embora Durkheim defenda que o significado e o propósito para a vida passa pelo uso da integração social, outros autores defendem que a integração social acontece a partir do compromisso que as pessoas têm ao nível social e que isso se traduz em sentimentos de pertença na sociedade, contribuindo ao mesmo tempo para uma melhor qualidade na saúde;
  4. A teoria da atividade desenvolveu-se em finais da década de 40 do século XX, Havighurst (1953). Segundo Fonseca (1953), aborda a autoestima e a vontade de viver, estes sentimentos espelham um envelhecimento positivo. O envelhecimento ativo é fundamental na vida do idoso, uma vez que este ao estar em atividade, quer esta seja de ordem formal ou informal e até mesmo nas atividades solitárias o idoso sente vontade de viver pelo facto de se sentir ocupado.

A ocupação e participação da pessoa idosa no meio social, faz com esta se sinta mais predisposta para a vida e desta forma aumente o seu grau de satisfação e ao mesmo tempo proporciona ao idoso perceber a perda de papéis que tinha enquanto profissional produtivo assim como a necessidade de encontrar novos papéis ajustados à sua condição e ainda ao aumento da sua autoestima quer pelo facto de ser aceite na sociedade, quer pelo sentimento de partilha. Não menos importante é o sentimento de responsabilidade e de importância que ele sente em relação à sociedade, estes sentimentos – como se compreende – minimizam a perda emprego, a reforma.

  1. O PROCESSO DA REFORMA (Cinco Fases Sequenciais)

A ocupação profissional ocupa grande parte da maioria da população adulta e não é menos verdade que essa mesma população venha a cessar funções profissionais, é chegado o momento da reforma e com ele aparecem os primeiros sentimentos de velhice, a perda do papel profissional por motivos de reforma e como se sabe, a reforma é um marcador normativo para o começo da velhice. O processo de reforma é transversal a todos os que cessaram funções profissionais e implica cinco ajustamentos sequenciais, e que são:

  • O período de lua-de-mel;
  • O período de descanso e relaxamento;
  • O período de desencantamento;
  • O período de reorientação;
  • Desenvolvimento de uma rotina estável e satisfatória.

No primeiro período – lua-de-mel – o indivíduo sente que é chegado o momento de dar inicio a projetos que não teve tempo de realizar, sente ainda que é o momento de fazer aquilo que não teve tempo para fazer, esta atitude surge logo no início da reforma e é acompanhada por grande euforia, no entanto quando chega o segundo período, o de descanso e relaxamento, o indivíduo quebra essa euforia ao entrar num momento de lazer e relaxamento, ele percebe que esta nova fase da sua vida é para ser vivida de uma forma calma e tranquila.

No período de desencantamento – o terceiro – o indivíduo obriga-se a ponderar sobre aquilo que tinha projetado para a sua reforma, esta ponderação pode ser devida a vários fatores, eles podem ser de ordem familiar como por exemplo doença do cônjuge ou morte, ou de ordem pessoal. Este período pode ser marcante para o idoso e implicará que este encontre soluções para a sua nova condição, o que acontece no período da reorientação – o quarto – este é o período em que o idoso sente a necessidade de contornar a situação, ele percebe que a vida não acabou, mas sim que esta sofreu uma alteração que faz com que ele se ajuste à sua nova realidade. Ele tentará encontrar novos meios que permitam desenvolver opções, quer para o problema vivido quer para reestruturar as rotinas, não só enquanto reformado, mas também da sua posição em relação à sociedade e/ou à família.

O quinto período – rotina estável e satisfatória – este período é quase como que imposto, as quatro etapas que o indivíduo atravessou devido à sua reforma, deram-lhe possibilidade de perceber melhor como quer viver, a euforia no inicio da reforma e o desencantamento que devido a vários fatores impulsionaram o idoso a desejar rotinas estáveis e que o satisfaçam. Este momento imprime no idoso a vontade de participação, de se sentir pertença da sociedade e espera que a sociedade sinta o mesmo em relação a ele.

É tempo de encontrar um novo significado para a vida, é tempo de se tornar ativo e ter a oportunidade de encetar projetos que o satisfaçam, de criar situações que lhe tragam tranquilidade e com isto um melhor entendimento da sua finitude. O idoso deve perceber que a última etapa da vida é a morte, por isso, como já se disse, ele deve encetar novos projetos, projetos esses que podem e devem ir além da sua esperança de vida uma vez que o homem morre e a obra fica e/ou continua. Este momento da vida do idoso deverá ser um dos melhores para usufruir daquilo a que se chama envelhecimento ativo.

  1. PENSAMENTO ACERCA DA MORTE (As Quatro Dimensões)

Os idosos enfrentam a morte de diversas maneiras Howarth (1998), uns sentem-se preparados para a sua própria finitude enquanto outros preferem pensar no presente e na sua vontade de continuar a viver. Ainda segundo o autor a morte apresenta quatro dimensões de pensamento e que estas estão ligadas entre si:

  1. A morte “boa” ou “má”. A morte “boa”. Ou seja morrer durante o sono, evitando assim dar trabalho aos outros, esta vontade é comum em pessoas dependentes e a necessitar de cuidados. A morte “má” é aquela em que o indivíduo dá muito trabalho devido à sua condição, esta situação torna-se mais angustiante quando é cuidado pelos filhos;
  2. O Grau de controlo sobre este momento da vida – O grau de controlo sobre a morte tem que ver com a capacidade de influenciar o modo, o método e o momento de morrer assim como do processo da morte;
  3. Formas que podem tonar a morte legitima ou significativa, a legitimação da morte prende-se com o facto de se sentir que já não se é necessário para cuidar dos outros e também o facto de ter visto os filhos e netos tornarem-se crescidos;
  4. Questões relacionadas com os rituais de funeral, o desejo de ser relembrado e os rituais de luto variam de cultura para cultura, alguns estudiosos evidenciam que a sua forma social assim como os sentimentos de luto individuais são influenciados pelo contexto sociocultural.
  1. LUTO PATOLÓGICO (Características Presentes) 

Características presente no luto patológico segundo o DSM-IV-TR, 2002:

  • Sentimento de culpa acerca das ações que poderiam ou não ter sido realizadas pelo sobrevivente no momento da morte;
  • Ideias de morte relativas ao sentimento por parte do sujeito sobrevivente de que seria melhor estar morto ou ter morrido com o outro;
  • Preocupação mórbida com ideias de desvalorização;
  • Acentuada lentificação psicomotora;
  • Défice funcional acentuado e prolongado;
  • Experiências alucinatórias, que não sejam pensar que ouve a voz ou vê a imagem da pessoa falecida de modo fugaz.
  1. LUTO E APOIO SOCIAL A IDOSOS

 As perdas relacionais têm um impacto significativo na vida do idoso, estas perdas podem ser provocadas quer pelo afastamento da sociedade quer pela parte do próprio idoso ou ainda por elementos que o rodeavam assim como também por diversos motivos que podem ser de várias ordens. As perdas mais significativas prendem-se com a morte de familiares próximos e se for o caso do cônjuge, a perda tem um impacto devastador no idoso.

O luto, para a maioria dos idosos é uma etapa difícil de ultrapassar, principalmente quando estes partilhavam as vidas no mesmo espaço, quer seja em casa ou em instituições. “A viuvez é talvez o acontecimento mais marcante na velhice (…) ” Sousa et al (2004), este acontecimento pode levar o idoso ao seu próprio isolamento, perdendo gradualmente o contacto com as suas redes sociais, posto isto, entende-se ser necessário iniciar um ajustado apoio social no sentido de devolver o idoso à vida.

O apoio social não deve ser prestado unicamente quando o idoso enfrenta a viuvez até porque – na maioria dos casos – a morte de um cônjuge é anunciada, uma vez que é comum a pessoa que morreu ter apresentado durante algum tempo uma ou mais patologias que pudessem evidenciar a sua finitude.

O processo de luto, segundo Maria Silva (2004), pode influenciar negativamente o idoso pelo facto de provocar um desequilíbrio na sua vida e este desequilíbrio pode provocar no idoso um sentimento de inércia. Portanto, a pessoa poderá interiorizar que a vida para ela perdeu o sentido, situações como esta devem merecer toda a atenção, a pessoa deve ser alvo de um apoio social concertado e direcionado levando este a perceber que não foi a vida dele que terminou, mas sim, um ciclo da sua vida e que terá que enfrentar essa perda para que assim possa dar continuidade à sua vida.

O processo de luto, de acordo com Cavanaugh (1993), apresenta três fases, a fase inicial, a fase intermédia e a fase de recuperação:

  1. Na fase inicial do luto o apoio social deve revestir-se de particular preocupação, acompanhar o individuo para que este se sinta apoiado, uma vez que o choque da perda tende a gerar conflitos na pessoa, este apoio deve acontecer, quer pela parte da família quer dos amigos e se necessário de profissionais e ou instituições;
  2. Na fase intermédia, o apoio social deverá dar continuidade ao trabalho realizado, que tem vindo a ser feito desde a fase inicial do luto. O apoio social pode vir a ter que sofrer alterações, uma vez que nesta fase a pessoa tem tendência a culpabilizar-se pela morte do outro. Assim, o apoio social deverá utilizar meios bastante claros que possam esclarecer o individuo acerca da morte do seu ente querido para que este não se sinta responsável por isso;
  3. Na fase de recuperação, o apoio social deverá encetar medidas no sentido de levar o idoso a tornar-se num participante ativo na sociedade, assim como também no seu seio familiar, esta ação poderá ser mais fácil de aplicar devido ao afastamento do momento em que a morte ocorreu, tornando assim a recuperação do individuo mais fácil quer para ele quer para todos os envolvidos no processo.

O apoio social formal ou informal é importante ao longo de toda a vida do “Ser” humano, no entanto este apoio torna-se mais necessário com o passar dos anos, sendo fundamental na fase final da vida.

A morte é um assunto que o Homem teima em temer, este temor poder ser originado por diversos motivos que vão desde o simples medo de deixar a vida tal como a conhece até ao medo do desconhecido. A morte é pertença do Homem e individual, este deverá – ao longo da sua vida – procurar em si o seu propósito na vida e aplicá-lo, fazer com que a sua passagem enquanto “Ser” vivo seja uma realização pessoal e assim, quem sabe, o Homem encontrará respostas do porquê da sua finitude, percebendo – talvez – ao mesmo tempo o porquê do seu nascimento.

  1. ESTILOS DE VIDA E ENVELHECIMENTO

As questões relacionadas com o envelhecimento humano têm vindo a evoluir no entanto estas não acompanham o aumento do envelhecimento humano Maria Quintela, (2011). A promoção da saúde pressupõe fortalecer as competências, capacidades individuais e coletivas de forma a melhorar as causas que perturbam a saúde.

O envelhecimento humano começa com o seu nascimento e ocorre até à sua finitude. O número de indivíduos idosos tende a aumentar no mundo inteiro, sendo Okinawa no japão o detentor de uma das maiores populações de idosos e o brasil comporta 32 milhões. O avanço da medicina proporciona a longevidade quer por ação médica quer medicamentosa, o que só por si não significa melhor qualidade de vida. A herança genética, a alimentação, a atividade física, a participação social e familiar, assim como a espiritualidade são fatores determinantes no que respeita à saúde e bem-estar, por isso o investimento na saúde os bons hábitos e os estilos de vida adotados durante a existência do “Ser” humano são fundamentais para um envelhecimento saudável, principalmente na sua última fase do envelhecimento, a fase da velhice. Para que o envelhecimento seja bem-sucedido o individuo deverá olhar o envelhecimento de forma holística.

A finitude e a dor são, provavelmente, as duas conceções que o “Ser” humano mais teme ao longo da sua vida, esta preocupação acompanha o indivíduo desde a sua tomada de consciência e é bastante comum aos indivíduos independentemente da sua idade – mesmo perante o medo da dor e de morrer – levarem uma vida de maus hábitos, esta atitude poderá acarretar consequências devastadoras quer ao nível biológico quer ao nível psicológico e ainda ao nível social, estas consequências podem levar a uma perda significativa no que respeita à saúde e bem-estar e por sua vez ao isolamento social.

O facto de haver uma maior concentração de idosos na província de Okinawa no Japão,  deve-se aos seus comportamentos ao nível alimentar e físico, reforçando assim a ideia de que um envelhecimento cuidado tem impacto direto na qualidade de vida dos idosos, este comportamento ao nível alimentar e físico é acompanhado de uma vida social ativa e de espiritualidade. A atividade física e uma alimentação adequada ao longo da vida traduz-se numa melhor condição do indivíduo ao nível da sua saúde. Segundo Frances (2007), uma boa nutrição permite ao indivíduo processos de reparação e crescimento assim como também a regulação do metabolismo.

Ainda de acordo com a autora o envelhecimento produz modificações importantes que afetam as carências de certos nutrientes, assim conclui-se que o indivíduo deve ser alvo de um acompanhamento nutricional e este deve ir sendo acentuado com o avançar da idade, uma alimentação saudável também deve ser acompanhada do exercício físico, uma vez que esta prática está associada ao envelhecimento saudável, já o sedentarismo está associado a múltiplas patologias principalmente aquelas que estão habitualmente associadas ao envelhecimento, reforçando assim a importância da adoção de estilos e hábitos de vida saudáveis.

Segundo uma investigação levada a cabo por Catarina Barros e outros (2013), o modo como se vive têm uma enorme influência na forma como se envelhece, assim, urge a necessidade de dar cumprimento às orientações da Organização Mundial de Saúde, (OMS), que vão no sentido da promoção da saúde pública, ou seja viver mais mas com saúde, autonomia e independência.

A responsabilidade de envelhecer com saúde pode e deve ser vista do ponto coletivo, no entanto esta deverá também ser da responsabilidade individual, segundo os autores do estudo, o envelhecimento com saúde tem um impacto significativo no que respeita ao desenvolvimento dos países, ainda de acordo com o estudo realizado, os idosos aumentaram a sua perceção no que respeita à sua saúde, mas também é verificável que ainda há muito a fazer no que respeita à qualidade de vida e bem-estar dos indivíduos idosos.

O apoio social e a qualidade de vida apresentam uma relação notória entre eles, portanto o apoio social e a qualidade de vida têm um impacto significativo ao nível psicológico o que de acordo com Vânia Guiomar, (2010) solicita a compreensão dos diversos fatores relacionados com o envelhecimento pelo facto de estes contribuírem para uma melhor qualidade de vida e bem-estar. Além dos fatores já referidos a espiritualidade também deve merecer uma atenção especial, quer da parte do indivíduo quer daqueles que o rodeiam, segundo Fromm E. (2003), “ (…) não existe nenhuma cultura do passado, nem parece poder vir a existir nenhuma no futuro, que não tenha uma religião (…) ” assim, a espiritualidade permite o reencontro/encontro da própria pessoa, a paz interior. Ainda segundo Vânia Guiomar, (2010) existem três fatores de elevada importância para uma velhice bem-sucedida, ou no mínimo de significativa importância:

  1. Factores ligados ao grupo etário (relacionados com a idade cronológica ou biológica):
  2. Factores relacionados com o período histórico em que se vive e designa como (efeito de corte);
  3. Factores associados `história pessoal ou aos acontecimentos autobiográficos do individuo.

 O acompanhamento médico é fundamental quer para a prevenção quer para a deteção precoce de possíveis patologias, portando um acompanhamento médico é essencial para aumentar a qualidade de vida quer no envelhecimento quer na velhice. O acompanhamento da saúde e o investimento na mesma ao longo da vida não é tarefa fácil, devido aos custos dos serviços de saúde. É comum a velhice fazer-se acompanhar de uma ou mais patologias sendo algumas destas próprias de um envelhecimento senescente ou causadas por diversos fatores como os maus hábitos e ou estilos de vida, assim como fatores genéticos e de ordem hereditária.

Segundo dados do World Population Data Sheet, do Population Reference Bureau a população mundial de indivíduos com mais de 65 anos eram de 564 milhões em 2012, 8% da população mundial, estimando que em 2050 esta população atinja os 2 mil milhões, portanto 20% da população de então. Em Portugal a população atual de idosos já ultrapassa os 2 milhões, 19,1% da população, esta percentagem atingirá em 2050 os 31,8% Maria Carvalho, (2013). Estes dados levantam questões preocupantes no respeita aos custos da saúde ao nível da prevenção e do tratamento.

Como se sabe o acesso a serviços de saúde pela parte de uma grande maioria, independentemente da idade, é feito com enormes limitações e a vários níveis, que vão desde a incapacidade financeira até a mobilidade, passando pela inercia de muitos indivíduos no que respeita à sua própria saúde, percebendo-se assim que em 2050 a gestão da saúde em indivíduos idoso irá exigir um enormíssimo esforço de meios humanos, financeiros e técnicos.

Perante a previsível dimensão do problema compete a todos encontrar novas medidas e o ajuste das existentes no sentido de responder adequadamente ao significativo aumento da população idosa com vista a que tenham o máximo de qualidade de vida e bem-estar. Como se sabe a qualidade de vida e bem-estar dos idosos traduz-se numa diminuição significativa de custos e para que isso aconteça dever-se-á apostar fortemente na promoção da saúde ao longo da vida e para que isso aconteça é necessário que se encontrem formas que facilitem o acesso à saúde a todos os indivíduos, assim como apostar fortemente em programas de educação e reeducação no que respeita ao autocuidado do indivíduo alertando-o de forma clara e objetiva que as suas ações enquanto Homem terão consequências na sua velhice. Atualmente a sociedade está devidamente informada e tem consciência que o seu modo de vida se vai refletir na sua velhice, contudo a sociedade continua a cometer erros com consequências negativas que se vão agravando à medida que os anos passam, solicitando assim uma reeducação/educação do indivíduo – como já foi dito – assim como da sociedade em geral, ou seja dos diversos meios e equipamentos e organismos disponíveis.

  1. REFLEXÃO (Breve)

Muito se escreve a fala sobre o envelhecimento ativo, contudo a sua praticabilidade apresenta deficiências de vária ordem, uma das mais importantes tem que ver com as questões financeiras, o dinheiro é um dos principais reguladores no que respeita à sua permanência em sociedade, uma vez que a sociedade tende a excluir aqueles que já não produzem. A sociedade criou padrões de produção que têm como objeto principal a criação de riqueza material esquecendo que existem outras “riquezas” tão ou mais importantes que a riqueza material.

O envelhecimento abrange todos os aspetos da vida do “Ser” humano, sendo o mais relevante o aspeto relacionado com a pertença, o “fazer parte de” e o “ser parte de”. O envelhecimento humano é inevitável a menos que o processo de morte ocorra prematuramente, por isso o indivíduo ao tornar-se consciente e decisor da sua vida deve dispensar uma particular atenção no que respeita à sua saúde e para que tenha saúde o indivíduo deve contemplar tudo aquilo que o rodeia e não menos importante, os outros da sua espécie. Ou seja o indivíduo deve possuir a obrigação de agir individualmente e coletivamente no sentido de tornar a vida humana mais saudável tendo presente que as suas ações também podem ter impacto na vida dos seus iguais, por isso este deve consciencializar-se no sentido de contribuir positivamente para a sociedade no que respeita ao envelhecimento saudável e bem-estar. Os Estados e os diversos órgãos que tutelam questões relacionadas com o “Ser” humano devem encetar ações e medidas com a finalidade de promover de forma séria a vida humana. Convém lembrar que os Estados e os organismos que tutelam a vida humana são geridos por humanos que também se encontram em processo de envelhecimento, percorrendo assim, o caminho para a velhice.

Quando o individuo chega à sua velhice, toma a consciência da sua perda de “papéis” na sociedade principalmente por ter cessado as suas funções profissionais, este momento é significativamente violento para alguns, principalmente para aqueles que passaram a suas vidas a produzir e como se sabe quando o indivíduo se reforma, não perde imediatamente as capacidades que tinha até então. Portanto o indivíduo ainda pode contribuir para a sociedade.

  1. BIBLIOGRAFIA

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ENVELHECIMENTO ACTIVO E REDES DE SUPORTE SOCIAL – Constança Paúl – Departamento de Ciências do Comportamento-ICBAS-UP – http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3732.pdf

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SCIENTIFIE ELECTRONIC LIBRARY ONLINE, SCIELO – Exercício físico como fator de prevenção aos processos inflamatórios decorrentes do envelhecimento – http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=75855

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O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO: as principais alterações que acontecem com o idoso com o passar dos anos –  http://ucbweb2.castelobranco.br/webcaf/arquivos/15482/10910/envelhecimento.pdf

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